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domingo, 22 de julho de 2012

"EM 2014, TETRAPLÉGICO VAI DAR O PONTAPÉ INICIAL DA COPA DO MUNDO






























"EM 2014, TETRAPLÉGICO VAI DAR O PONTAPÉ INICIAL DA COPA DO MUNDO usando um exoesqueleto", promete neurocientista.
O brasileiro Miguel Nicolelis, diretor do laboratório de neuroengenharia da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, trabalha na criação de uma veste robótica para transformar sinais cerebrais em movimentos


Cientista e professor Miguel Nicolelis em seu laboratório na Duke University em Durham, Carolina do Norte (Gilberto Tadday )
No mesmo dia em que o Santos venceu a Copa Libertadores, 22 de junho, o neurocientista (e palmeirense fanático) Miguel Nicolelis mostrou seus planos ambiciosos para a Copa de 2014. Diretor do laboratório de neuroengenharia da Universidade Duke, nos Estados Unidos, Nicolelis não apresentou nenhuma artimanha secreta para o Brasil conquistar o hexa. Seu projeto é mais importante: prometeu que o pontapé inicial do jogo de abertura da Copa será dado por um adolescente tetraplégico usando um exoesqueleto, uma veste robótica controlada por pensamentos. Em cima do palco no qual a Osesp costuma se apresentar, recebeu os aplausos entusiasmados da plateia que lotou a Sala São Paulo para ouvir sua palestra.
A apresentação faz parte de uma série de eventos relacionados ao lançamento do livro Muito Além do Nosso Eu – A nova neurociência que une cérebro e máquinas, e como ela pode mudar nossas vidas (552 páginas, Companhia das Letras). “Foram muitos anos de pesquisa, e o livro é uma forma de apresentar as teorias que consolidamos nesse período”, diz Nicolelis (assista à entrevista em vídeo).
Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o cientista paulistano mudou-se para os Estados Unidos em 1989 e desde 1994 dirige o laboratório de neuroengenharia da Universidade Duke. Seu prestígio só cresceu nos últimos anos, principalmente graças às pesquisas com o que ele batizou de interfaces cérebro-máquina (ICM). “São sensores capazes de captar a atividade elétrica dos neurônios, decodificá-la, remetê-la a artefatos robóticos e depois de volta para o cérebro por meio de sinais visuais, táteis ou elétricos”, explica. 
Na prática, as ICMs transformam os pensamentos em comandos digitais que as máquinas podem entender. O exoesqueleto imaginado por Nicolelis vai funcionar dessa maneira. Chips minúsculos colocados no cérebro ou na medula do paciente vão captar os sinais gerados pelo cérebro e transformá-los em comandos como “mover o pé direito” ou “chutar a bola”. “Os quadriplégicos continuam pensando nos movimentos. Vamos transformar essa intenção elétrica em movimento”, afirma o cientista, confiante.

Jim Wallace/Duke University/AP



Jones Rossi





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