"EM 2014, TETRAPLÉGICO VAI DAR O PONTAPÉ INICIAL DA COPA DO MUNDO usando um exoesqueleto", promete neurocientista.
O brasileiro Miguel
Nicolelis, diretor do laboratório de neuroengenharia da Universidade de Duke,
nos Estados Unidos, trabalha na criação de uma veste robótica para transformar
sinais cerebrais em movimentos
Cientista e professor
Miguel Nicolelis em seu laboratório na Duke University em Durham, Carolina do
Norte (Gilberto Tadday )
No mesmo dia em que o
Santos venceu a Copa Libertadores, 22 de junho, o neurocientista (e palmeirense
fanático) Miguel Nicolelis mostrou seus planos ambiciosos para a Copa de 2014.
Diretor do laboratório de neuroengenharia da Universidade Duke, nos Estados
Unidos, Nicolelis não apresentou nenhuma artimanha secreta para o Brasil
conquistar o hexa. Seu projeto é mais importante: prometeu que o pontapé
inicial do jogo de abertura da Copa será dado por um adolescente tetraplégico
usando um exoesqueleto, uma veste robótica controlada por pensamentos. Em cima
do palco no qual a Osesp costuma se apresentar, recebeu os aplausos
entusiasmados da plateia que lotou a Sala São Paulo para ouvir sua palestra.
A apresentação faz
parte de uma série de eventos relacionados ao lançamento do livro Muito
Além do Nosso Eu – A nova neurociência que une cérebro e máquinas, e como ela
pode mudar nossas vidas (552 páginas, Companhia das Letras). “Foram muitos
anos de pesquisa, e o livro é uma forma de apresentar as teorias que
consolidamos nesse período”, diz Nicolelis (assista
à entrevista em vídeo).
Formado pela Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo, o cientista paulistano mudou-se para
os Estados Unidos em 1989 e desde 1994 dirige o laboratório de neuroengenharia
da Universidade Duke. Seu prestígio só cresceu nos últimos anos, principalmente
graças às pesquisas com o que ele batizou de interfaces cérebro-máquina (ICM).
“São sensores capazes de captar a atividade elétrica dos neurônios,
decodificá-la, remetê-la a artefatos robóticos e depois de volta para o cérebro
por meio de sinais visuais, táteis ou elétricos”, explica.
Na prática, as ICMs
transformam os pensamentos em comandos digitais que as máquinas podem entender.
O exoesqueleto imaginado por Nicolelis vai funcionar dessa maneira. Chips
minúsculos colocados no cérebro ou na medula do paciente vão captar os sinais
gerados pelo cérebro e transformá-los em comandos como “mover o pé direito” ou
“chutar a bola”. “Os quadriplégicos continuam pensando nos movimentos. Vamos
transformar essa intenção elétrica em movimento”, afirma o cientista,
confiante.
Jim Wallace/Duke
University/AP
Jones Rossi

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