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sábado, 9 de junho de 2018

COPA DO MUNDO 2018: TREINADOR ARGENTIO LA VOLPE ELOGIA INTELIGENCIA DE TITE

"TITE PENSOU NUM ESQUEMA COM JOGADORES PERFEITOS PARA CADA FUNÇÃO" RICARDO LA VOLPE, TÉCNICO ARGENTINO CONSIDERADO “REVOLUCIONÁRIO”.

Ricardo La Volpe, revolucionário treinador argentino. Ele dirigiu o México na Copa de 2006 (Foto: Getty Images) Em entrevista a ÉPOCA, o revolucionário técnico argentino colocou o Brasil, junto de Alemanha e Espanha, como favorito para ganhar a Copa do Mundo de 2018 na Rússia.
O México não fez exatamente uma campanha brilhante na fase de grupos da Copa do Mundo de 2006, mas chegou às oitavas de final com o desafio de enfrentar a Argentina, tida como favorita até então. Quem esperava um massacre viu a seleção mexicana dominar a partida do início ao fim. O zagueiro Rafael Marquez abriu o placar aos seis minutos do primeiro tempo, e o atacante Crespo empatou logo em seguida. O jogo só se desenrolou na prorrogação, quando Maxi Rodriguez empurrou a bola para dentro e determinou a classificação da Argentina. A Copa acabava ali para o México.

Embora tenha sido eliminado antes mesmo de chegar a uma etapa mais avançada, aquele time é lembrado pelo bom futebol e pelas ideias consideradas revolucionárias. Uma delas é o recuo de um volante entre os zagueiros, com o intuito de fazer a saída de bola ser mais fluida. O idealizador daquele time foi o argentino Ricardo La Volpe. Conhecido pelo trabalho frente a equipes argentinas e mexicanas, La Volpe é considerado um grande teórico do futebol. Em entrevistas recentes, defendeu a exclusão de um jogador de linha, com o argumento de que isso tornaria o jogo mais atrativo e aberto. La Volpe falou de suas ideias em entrevista exclusiva a ÉPOCA. Explicou como nasceu a ideia de recuar um volante entre os zagueiros, estratégia que foi batizada com seu nome: saída lavolpiana. Fez críticas aos trabalhos de Juan Carlos Osorio e Jorge Sampaoli, atuais técnicos respectivamente do México e da Argentina. “Sampaoli teve pouco tempo para trabalhar, mas acredito que não se deve pensar num sistema de jogo antes de pensar nos jogadores”. O técnico também ponderou sobre suas lembranças do Brasil e elogiou o trabalho de Tite na seleção brasileira.


Ricardo La Volpe. O técnico argentino criou a saída de bola sustentada por dois zagueiros e um volante (Foto: Getty Images)
Ricardo La Volpe. O técnico argentino criou a saída de bola sustentada por dois zagueiros e um volante (Foto: Getty Images)
ÉPOCA – Você é conhecido pela expressão séria, sempre com o rosto fechado e bravo com jogadores. Essa característica lhe rendeu o apelido de “louco” ao longo dos anos. Você se considera um técnico fora do comum?
La Volpe – Sou um técnico que trabalha muito no campo e exige muita disciplina dos jogadores. Para isso, é preciso ter uma expressão mais séria. Os jornalistas no campo também me obrigam a ser mais sério, mas os jogadores sabem que esse é o momento do trabalho. Depois do treino, sempre converso e participo das resenhas. Considero-me um técnico normal.


ÉPOCA – O que vem em sua mente quando você pensa no futebol brasileiro?
La Volpe – O futebol brasileiro me dá prazer pela técnica dos jogadores e pela forma com a qual se joga. Com confiança e irreverência, sem medo. O Santos de Pelé jogava assim. O Palmeiras de Luiz Felipe Scolari também, com muita garra. São as duas equipes que mais lembro quando penso em Brasil.
ÉPOCA – Você é argentino. Assim como no Brasil, a Argentina vive um dualismo entre os estilos de Menotti e Bilardo. Qual você prefere?
La Volpe – Simples: Menotti.

ÉPOCA – Você era um jogador nos anos 1970 e um técnico na década de 2010. Passaram-se 40 anos. Na sua opinião, quais foram as evoluções táticas durante esse período?
La Volpe – A maior mudança no futebol se deve ao aspecto físico. O jogo ficou mais dinâmico e veloz. Se olharmos para os sistemas de jogo, são praticamente os mesmos desde a década de 1980: 4-3-3, 4-4-2, 4-2-3-1, com pequenas mudanças e alterações de acordo com características e áreas de atuação de cada jogador. Foi na década de 1980 que surgiu também o sistema com três zagueiros, que hoje se torna um 5-3-2 ou um 5-2-3, de acordo com ocasiões. São todos bons sistemas e todos podem dar certo, se bem trabalhados.
ÉPOCA – Em todos os clubes, você tenta implantar um estilo de posse de bola. Uma crítica constante a esse estilo é de que é preciso contratar jogadores caros e com muita qualidade para o estilo se tornar efetivo. Você acredita nisso?
La Volpe – Em primeiro lugar, todo jogador tem técnica. Todo jogador tem uma qualidade escondida, que ainda não foi explorada. O que é preciso dar para esse jogador é o entendimento dos movimentos corretos para ele conseguir jogar. E também ter uma estratégia clara para facilitar o estilo de ter a posse de bola. Penso que o passe, o chute, as ações dentro do jogo não são separadas. A qualidade do jogador não está desassociada do coletivo. Por isso uma estratégia para ter uma boa saída de bola facilita muito o jogo para quem está em campo.
ÉPOCA – Uma de suas teorias mais famosas ganhou seu nome: a saída lavolpiana. Guardiola chegou a dizer que foi influenciado por essa estratégia, muito usada no México na Copa de 2006. Como surgiu essa idéia?
La Volpe – Minha ideia era tornar o jogo dos zagueiros mais seguro. A maioria dos times começa a marcação com dois atacantes. Dessa forma, o zagueiro precisa driblar um atacante, e normalmente eles são mais lentos e podem perder a bola com mais facilidade. Se o volante recua e encosta no zagueiro, ele tem com quem jogar. Fica uma situação de dois contra um, algo que dá mais confiança aos jogadores.

ÉPOCA – A teoria do “jogo de posição” nasceu no Barcelona e prega um bom posicionamento dos jogadores no ataque. Como você enxerga esse conceito?
O México em 2006 tinha algumas características do chamado “jogo de posição”?
La Volpe – Para mim, o jogo de posição é, como o nome diz, uma ideia que busca sempre estar bem posicionado. O principal fundamento é ter o controle da partida. Estar sempre nos lugares certos para receber a bola perto do gol. Outro fundamento é a posse de bola. Manter a bola com seu time não dá apenas a condição de atacar muito. Você se defende com a posse de bola porque tira ela do seu adversário.
ÉPOCA – A equipe argentina vem passando por várias mudanças técnicas nos últimos anos. Sampaoli sempre foi um nome de renome, mas teve pouco tempo e foi criticado por suas escolhas. Como você avalia o trabalho de Sampaoli aqui?
La Volpe – Sampaoli teve pouco tempo para trabalhar, mas acredito que não se deve pensar num sistema de jogo antes de pensar nos jogadores. A Argentina tem grandes jogadores em clubes de ponta, mas a seleção joga de uma forma complicada e diferente do que eles fazem em seus clubes. É uma questão de não complicar muito. Se não há tempo, basta fazer o simples. Como muitos argentinos estão em times que jogam no sistema 4-2-3-1 ou 4-4-2, Sampaoli deveria copiar esse sistema e pensar em Messi, que sempre jogou como um meia-atacante.
ÉPOCA – Juan Carlos Osorio é o técnico do México na Copa do Mundo, mas o senhor criticou seu trabalho pelas diversas mudanças na escalação do time. Qual sua opinião sobre o trabalho do técnico até aqui?
La Volpe – Acredito que Osorio faz um bom trabalho, mas muitas vezes escala jogadores em funções que não jogam. Isso demanda um trabalho de longo prazo, um tempo que a seleção não tem. Mesmo assim, acredito que o México fará uma boa campanha, mesmo num grupo difícil.
ÉPOCA – O Brasil é apontado como favorito para a Copa do Mundo. Qual sua opinião sobre o trabalho de Tite no comando da seleção brasileira?
La Volpe – Tite mudou a mentalidade dos jogadores, e isso foi o mais importante. A seleção brasileira ficou mais competitiva. Sabíamos que o Brasil tem jogadores técnicos e de grande qualidade, mas faltava essa mentalidade. Outro grande mérito de Tite foi ter pensado num sistema com jogadores perfeitos para cada função. O Brasil joga num 4-1-4-1 onde todos sabem o que fazer. Outro bom motivo para acreditar no Brasil é o equilíbrio defensivo. Sofrer poucos gols é fundamental para uma campanha vencedora na Copa do Mundo.
ÉPOCA – Quais são seus favoritos para a Copa do Mundo?
La Volpe – Acredito que três equipes estão um passo acima: Espanha, Alemanha e Brasil. E acredito que o futebol brasileiro é o favorito para esta Copa do Mundo.

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